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Energia Renovável
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Investir em Infraestrutura de Energia Limpa vale a pena?

Investir em Infraestrutura de Energia Limpa vale a pena?

23/11/2025 - 08:00
Matheus Moraes
Investir em Infraestrutura de Energia Limpa vale a pena?

O setor de energia limpa no Brasil vive um momento de consolidação em 2025, com cenários e números que mostram um mercado em plena expansão. Este artigo explora as raízes desse avanço, os investimentos recordes, as oportunidades emergentes e as barreiras a serem superadas para que o país mantenha sua posição de destaque.

Contexto e Panorama do Setor

O Brasil consolidou seu protagonismo brasileiro ao construir uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. Em 2024, cerca de 88% da eletricidade proveniente de fontes renováveis reforçou a posição nacional em rankings globais de sustentabilidade.

As fontes predominantes da matriz elétrica brasileira são variadas e complementares. Cada uma traz desafios e vantagens específicas no cenário atual:

  • Hidrelétricas representam 57%–60% da capacidade instalada, mas sofrem com a variabilidade climática nos reservatórios.
  • Eólica atinge 52 GW, concentrada no Nordeste, com ventos médios de até 9 m/s, fortalecendo a geração em larga escala.
  • Solar fotovoltaica cresce aceleradamente, chegando a 64,7 GW até o fim de 2025, com destaque para geração distribuída.
  • Biomassa e Biogás contribuem com 9% da matriz, aproveitando resíduos agrícolas e industriais para energia limpa.

Números e Investimentos

O volume de recursos destinados ao setor atingiu patamares inéditos. Em 2025, as fusões e aquisições em energias renováveis superaram R$ 120 bilhões, o que corresponde a 40% do mercado de M&A no país.

Além disso, os próximos leilões previstos para transmissão, armazenamento e geração devem atrair cerca de R$ 57 bilhões em aportes. Só em solar fotovoltaico, o montante investido em 2024–2025 alcançou R$ 54,9 bilhões, com projeção de mais R$ 39 bilhões até o fim de 2025.

O setor também se destaca pela geração massiva de empregos. Estima-se que a geração distribuída solar criará 396 mil novas vagas e arrecadará R$ 13 bilhões em tributos públicos até o final de 2025. Empresas estrangeiras, especialmente chinesas, injetaram mais de R$ 2 bilhões em projetos eólicos e solares.

Oportunidades e Tendências

O mercado de energia limpa está em transformação, com novas vertentes de negócios e tecnologias promissoras:

  • Geração distribuída: consumidores residenciais e comerciais obtêm autonomia energética e redução de custos.
  • Mercado Livre de Energia: a abertura gradual facilita contratos bilaterais e maior competitividade.
  • Smart grids e digitalização: redes inteligentes garantem maior eficiência e resiliência do sistema.
  • Sistemas de armazenamento: baterias avançadas e soluções híbridas atendem à intermitência.

Do ponto de vista regulatório, o Plano Nacional de Energia 2050 estabelece metas claras de expansão das renováveis e uso intensivo de fontes limpas até meados do século, criando um ambiente de segurança jurídica e incentivos fiscais.

Desafios e Limitações

Mesmo com avanços, o setor enfrenta obstáculos estruturais. A infraestrutura defasada em linhas de transmissão e subestações dificulta o escoamento de energia de parques localizados no interior do país para grandes centros urbanos.

A intermitência inerente às fontes solar e eólica exige investimentos expressivos em sistemas de armazenamento e flexibilidade operacional. Isso pressiona o custo total dos projetos e exige modelos de negócios inovadores.

Além disso, a burocracia e a lentidão no licenciamento ambiental elevam a insegurança jurídica para investidores, e o custo inicial de implantação ainda é considerado alto por muitas empresas, mesmo diante da queda de preços de painéis e turbinas.

Comparação Internacional & Perspectivas Globais

Em termos comparativos, o Brasil está muito à frente da média mundial, que registra cerca de 30% de energia limpa na matriz elétrica. A participação nacional de 83% em 2024, com projeção de 88% em 2025, reforça sua liderança.

Na arena internacional, a América Latina e o Brasil em particular ganharão maior destaque na COP 30, com oportunidades de atrair novos investimentos e firmar acordos de cooperação técnica.

Considerações Finais

Investir em infraestrutura de energia limpa no Brasil em 2025 vale a pena porque agrega valor econômico, social e ambiental. A combinação de recursos naturais abundantes, políticas públicas de fomento e um mercado em expansão cria um cenário propício para retornos consistentes.

No entanto, para sustentar esse ritmo, é fundamental modernizar a cadeia de transmissão e armazenamento, desburocratizar processos e garantir estabilidade regulatória. Só assim o país permanecerá na vanguarda da transição energética global.

Referências

Matheus Moraes

Sobre o Autor: Matheus Moraes

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