O ambiente digital traz inúmeras vantagens, mas também riscos crescentes. Em 2025, o Brasil alcançou níveis recordes de fraude financeira, afetando milhões de pessoas e gerando perdas bilionárias. Neste artigo, apresentamos um panorama completo do problema, explicações detalhadas sobre os tipos de golpe, tendências tecnológicas, perfil das vítimas e recomendações práticas para se proteger com eficácia.
O primeiro semestre de 2025 registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude no país, com uma ação maliciosa ocorrendo em média cada tentativa a cada 2,2 segundos. No setor de bancos e cartões, foram 1.871.979 tentativas apenas no primeiro trimestre, 21,5% a mais que em 2024. Esses números alarmantes refletem a evolução das estratégias dos criminosos e o aumento da exposição dos consumidores.
Do total de brasileiros, 51% relataram ter sofrido algum tipo de fraude financeira em 2025, e 54,2% dentre eles tiveram prejuízo financeiro significativo. Entre julho de 2024 e junho de 2025, foram aproximadamente 24 milhões de vítimas, com perdas superiores a R$ 29 bilhões e média de mais de R$ 6 mil por pessoa.
Geograficamente, o Sudeste concentra o maior número absoluto de ocorrências, mas o Norte e o Nordeste registraram as maiores taxas de crescimento, com aumento superior a 25% em comparação ao ano anterior. No Distrito Federal, a proporção de vítimas por milhão de habitantes é a mais elevada do país.
Em resposta a esse cenário, instituições financeiras implementam co-branded seguros e serviços de monitoramento de crédito gratuitos ou com custos reduzidos, buscando mitigar impactos e recuperar a confiança dos clientes.
Dentre as modalidades de golpe, destacam-se as que mais impactam o consumidor:
Uso indevido de cartões de crédito foi responsável por 47,9% dos casos, aproveitando dados vazados ou clonados para compras não autorizadas. Já pagamentos de boletos e operações com Pix falsos representaram 32,8%, atingindo especialmente idosos através de boletos adulterados e jovens em compras virtuais.
O phishing, com e-mails e mensagens fraudulentas que induzem ao roubo de credenciais, somou 21,6% das ocorrências. Além disso, a engenharia social hiperpersonalizada com IA tem evoluído: golpistas utilizam inteligência artificial para criar abordagens sob medida, dificultando a percepção de ameaça.
Um golpe comum envolve o envio de boletos falsificados por e-mail: apesar de visualmente idênticos aos originais, esses documentos têm códigos de barras adulterados, desviando pagamentos para contas dos golpistas. Essa técnica evoluiu com o uso de QR codes dinâmicos, que alteram valores e beneficiários em tempo real.
Imagine-se um jovem profissional adquirindo um celular novo em uma promoção relâmpago, sem notar a URL adulterada pelo golpista. Em minutos, seus dados e dinheiro desaparecem, trazendo prejuízos não só financeiros, mas também desgaste emocional e insegurança digital.
Houve também um crescimento de 80% em fraudes envolvendo documentos falsos, impulsionado pela necessidade de métodos de autenticação mais rigorosos, como biometria facial. Golpes em eletrônicos e investimentos foram responsáveis por 10% e 8% das fraudes, respectivamente.
Para vencer as defesas tradicionais, criminosos contam com recursos avançados e automatizados:
A inteligência artificial é usada para analisar dados públicos e criar técnicas cada vez mais sofisticadas, desde deepfakes em ligações até chats automatizados que simulam atendentes reais. Isso exige das instituições soluções igualmente inovadoras.
Por outro lado, sistemas de monitoramento avançados com análise em tempo real e behaviour analytics monitoram bilhões de transações, sinalizando padrões atípicos imediatamente. A avaliação de risco de dispositivos e o uso de autenticação por biometria facial (41,7% dos casos) tornaram-se essenciais para reduzir fraudes.
Outra frente de batalha refere-se ao uso de tokenização de transações e blockchain para registrar cada movimentação de forma imutável. Essas soluções, embora mais comuns em plataformas de investimento, começam a ser adotadas por grandes bancos como camada extra de defesa.
O fingerprinting de dispositivos, que coleta informações do hardware e software do usuário, também ajuda a identificar comportamentos anormais e barrar acessos de aparelhos desconhecidos à conta bancária.
Embora pessoas entre 26 e 50 anos sejam alvo de 59,5% das tentativas, jovens e idosos também estão vulneráveis. Jovens, por estarem mais presentes no e-commerce, enfrentam golpes em compras virtuais, enquanto idosos sofrem com boletos e telefonemas falsos.
Indivíduos endividados representam um grupo de alto risco: ao buscar soluções financeiras rápidas, podem ser atraídos por ofertas falsas que prometem quitação imediata, acabando por fornecer dados pessoais e bancários.
Além da idade, fatores como nível de escolaridade e faixa de renda influenciam a vulnerabilidade. Estudantes universitários, por exemplo, são atraídos por ofertas de empréstimos estudantis falsos, enquanto profissionais autônomos lidam com cobranças indevidas em aplicativos de gestão financeira.
O impacto psicológico de uma fraude não se limita ao prejuízo financeiro: sentimentos de culpa, vergonha e ansiedade são comuns. Muitas vítimas relutam em denunciar o crime, atrasando a identificação de padrões de ataque e dificultando a ação das autoridades.
As fraudes geram impactos profundos na confiança do consumidor. Setenta e sete por cento dos usuários consideram a segurança de dados decisiva na escolha de um serviço, e 59% mudariam de empresa por melhores práticas de proteção.
Além disso, 48% abandonam compras online ao desconfiar de possíveis fraudes, afetando o faturamento do e-commerce. Para o sistema financeiro, as perdas concretizadas poderiam chegar a R$ 15,7 bilhões.
O Banco Central intensificou a fiscalização das instituições, exigindo relatórios trimestrais de fraude e penalizando empresas com avaliações de risco mal gerenciadas. Há também projetos de lei que obrigam bancos a reembolsar integralmente valores desviados em até 48 horas após a contestação.
Para as empresas, a exposição a incidentes de fraude pode resultar em perda de clientes e danos à imagem. Investir em programas de fidelização baseados em segurança passou a ser estratégia-chave para manter a competitividade.
Seguir boas práticas diárias pode reduzir drasticamente o risco de ser vítima de fraudes:
Empresas, por sua vez, devem:
A proteção contra fraudes financeiras requer vigilância constante, informação atualizada e uso de tecnologias de segurança. Ao adotar medidas simples no dia a dia e apoiar iniciativas de prevenção, consumidores e empresas colaboram para um ambiente digital mais seguro.
Esteja sempre atento, compartilhe conhecimentos e fortaleça suas defesas. A segurança financeira é construída passo a passo, com decisões conscientes e ferramentas adequadas. Junte-se a essa jornada e ajude a criar um Brasil mais protegido contra fraudes.
Referências